19 de outubro de 2010

Qual é o seu Sonho?


A bandeira que se levanta hoje é a de que se pode sonhar a vontade. Cultivar o sonho nas pessoas tornou-se a arma principal do sistema capitalista. Pode-se sonhar a vontade, isso porque o sonho está atribuído ao consumo. Consuma e seu sonho será realizado, consuma tudo o que desejar, mesmo que não possa assumir o consumo desse sonho pode levar. Divide-se os sonhos em 12x sem juros, entrada para 30 dias, parcelas fixas, e todas as formas possíveis. Se faltar o dinheiro não tem problema, tem que financie os sonhos. Os juros são saltos, mas dividi-se em 48 meses.
As necessidades dão lugar às fragilidades e angustias do querer ter, de possuir os objetos paridos pelo capitalismo desenfreado. As pessoas passam pelos shoppings com os olhos vidrados nas vitrines e mal percebem que está ao seu lado, e quando se dá conta de que tem alguém á sua companhia não a vê como um possível amigo, ou que trata-se de alguém que procura palavras de conforto. Ao invés de enxergar o interior nota somente o exterior, os objetos que essa pessoas carrega. Eles estão na moda ou já se tornaram obsoletos?
Onde está a humanização do ser humano? Nas empresas eles são vistos e reconhecidos como números, como máquinas que precisam atingir metas. Para os marketeiros são vistos como consumidores, que devem se comportar como animais famintos que disputam objetos numa promoção, para os políticos são vistos como eleitores que devem com o indicador digitar seus números, para o capitalismo são vistos como fantoches que devem caminhar sob a mesma trilha, a do consumo. Mas espera ai... quem são os empresários, quem são os marketeiros, quem são os políticos? Minha nossa... eles são seres humanos. São os piores e mais contaminados pelo sistema, são os que fazem estratégias tendenciosas, sempre pensando num retorno que beneficie a si mesmos, e com isso evidenciam o egoísmo e individualidade humana. Eles são os peixes mais enrolados na rede capitalista. São os perdem noites pensando em como mover o mundo para a frente dos computadores, televisão, rádio, jornais. Os meios de comunicação são culpados por issso? Não, mas sim quem os faz noticiar. O problema não está nessas classes que citei, mas na humanidade em geral.
Vendo-se encurralada de todos os lados, com o pólo Norte desmanchando suas enormes geleiras, com as florestas devastadas, com inúmeras espécies animais em extinção, com os sol irradiando violentamente e o mar revoltando-se enraivecido, o ser humano tenta frear seus instintos consumistas para preservar seu habitat. Diante de tanta maldade e alguns de tanta riqueza, tentam praticar o altruísmo, a solidariedade. Isso faz parte da nova moda! Mas a essência encontra-se abalada drasticamente. A inveja, o ciúme, a luxuria, a individualidade, o ego envaidecido ainda habitam a psique humana. Tudo isso reduz suas ações altruístas a pó, porque são poucos que a praticam de coração. A maioria o pratica para não sair do cenário do status social.
Qual é o seu verdadeiro sonho? Não seja hipócrita consigo mesmo. Admita que é fascinado pelos palcos traiçoeiros do capitalismo. Só admitindo poderá dar início a uma reforma que não deve alicerça-se no exterior, mas no interior da sua própria consciência e existência. Necessito dessa reforma e acredito que muitos que me lêem também!

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ODE AO POETA


Conheci um poeta
que deixou de viver
sanou o açúcar do seu corpo
e ao invés de prová-lo prazerosamente
envenenou-se em sua mente perturbada



Suas flores viraram Bolores
seus sonhos conheceram o inferno
suas asas perderam o vôo
seus amores e ardores
provaram as dores e desabores



Conheci o poeta
que não soube amar como poeta
porque poeta que sabe amar
não transforma açúcar em uma calda queimada
mas em maçã do amor



Não permite que
seu Sangue adoeça
com pílulas ridículas
desnecessárias a seu corpo
e à sua alma



Um poeta que sabe amar
vê numa aventura amorosa
mais parágrafos para seus poemas
mais palavras que sobejam
seu vocabulário conotativo



Conheci esse poeta que não soube amar
talvez porque ele não fosse do tipo romântico
seu estilo Hai –Kai, meio concretista,moder nista
dividia espaço com uma atmosfera erótica

de nus frontais



onde o gauche gritava mais alto que Alberto Caeiro
o surrealismo sufocava o impressionismo
se a sensibilidade de Frida Khalo o envolvesse

mais que as metamorfoses kafikianas
ele talvez estivesse entre os mortais



Lapidando palavras ao seu estilo
lembrando-se que

sua aventura amorosa fatal
fosse apenas mais uma em sua vida
de tantas bocas e beijos buterflys







Maíra Bahia